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Imagem da net

Querida mãe,

Lembras-te da alegria
e do receio, quando eu nasci?
O Mundo precisou de ti.

Lembras-te da dor
e da loucura quando eu morri?
O Mundo precisou de ti.

Porque te fechas em casa a chorar?
Não é lá que me vais encontrar...
Procura-me no Mundo.
Ele precisa de ti.

Eu sou o vento que passa a soprar.
Eu sou o diamante de neve a brilhar.
Eu sou o Sol que amadurece a seara em grão.
Eu sou a suave chuva de Outono que cai no chão.
Eu sou a vida que tu fizeste nascer.
Essa vida jamais poderá morrer.

Um sorriso teu pode fazer alguém mudar.
Com uma palavra podes fazer o mundo girar.
Eu estou viva, não morri.
E o Mundo precisa de ti.

Maria Emília
2 de Maio de 1999


A Ana Martins do blogue Ave Sem Asas, ofereceu-me este prémio do Papo Calcinha


que desde já agradeço e me deixou muito feliz.
Para receber o prémio é preciso - escrever uma frase, citar um título ou contar uma historia sobre seis assuntos nos seguintes segmentos:

- VIDA, CINEMA, LITERATURA, VIAGEM, AMOR E SEXO
- Convidar seis colegas de blogs que você realmente considere femininas e inteligentes
- Linkar o blog que a convidou
- Postar as regras para que outros as repassem
- Inserir o selinho que você recebeu do Papo Calcinha.

VIDA - Poema "O Mundo precisa de ti " (acima)
CINEMA - Desfile de actores e actrizes que povoam o nosso imaginário e inspiram as nossas vidas.
LITERATURA - Janela sempre aberta para o conhecimento.
VIAGEM - Não perco uma oportunidade, mas a melhor é a que faço ao interior de mim mesma.
AMOR - Amar é aquilo que mais gosto de fazer na vida.
SEXO - Sublime - quando há amor.

As minhas escolhas vão para:
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Imagem da net

Querida mãe,

Lembras-te da alegria
e do receio, quando eu nasci?
O Mundo precisou de ti.

Lembras-te da dor
e da loucura quando eu morri?
O Mundo precisou de ti.

Porque te fechas em casa a chorar?
Não é lá que me vais encontrar...
Procura-me no Mundo.
Ele precisa de ti.

Eu sou o vento que passa a soprar.
Eu sou o diamante de neve a brilhar.
Eu sou o Sol que amadurece a seara em grão.
Eu sou a suave chuva de Outono que cai no chão.
Eu sou a vida que tu fizeste nascer.
Essa vida jamais poderá morrer.

Um sorriso teu pode fazer alguém mudar.
Com uma palavra podes fazer o mundo girar.
Eu estou viva, não morri.
E o Mundo precisa de ti.

Maria Emília
2 de Maio de 1999


A Ana Martins do blogue Ave Sem Asas, ofereceu-me este prémio do Papo Calcinha


que desde já agradeço e me deixou muito feliz.
Para receber o prémio é preciso - escrever uma frase, citar um título ou contar uma historia sobre seis assuntos nos seguintes segmentos:

- VIDA, CINEMA, LITERATURA, VIAGEM, AMOR E SEXO
- Convidar seis colegas de blogs que você realmente considere femininas e inteligentes
- Linkar o blog que a convidou
- Postar as regras para que outros as repassem
- Inserir o selinho que você recebeu do Papo Calcinha.

VIDA - Poema "O Mundo precisa de ti " (acima)
CINEMA - Desfile de actores e actrizes que povoam o nosso imaginário e inspiram as nossas vidas.
LITERATURA - Janela sempre aberta para o conhecimento.
VIAGEM - Não perco uma oportunidade, mas a melhor é a que faço ao interior de mim mesma.
AMOR - Amar é aquilo que mais gosto de fazer na vida.
SEXO - Sublime - quando há amor.

As minhas escolhas vão para:
Mães de todo o Portugal vão hoje ser homenageadas pelos seus filhos.
Para aquelas mães que viram os seus filhos partir e se arrastam na dor
da ausência e da saudade, aqui fica a minha homenagem.




.




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. Foto retirada do powerpoint The Art of Ballet - Tony.


A Música que escrevi para Ti

Mãe, cansada da luta
em silêncio choras
nada te prende, queres desistir.
Escuta. As palavras têm o dom de gerar vida.
Escuta e volta a sorrir.

Sorri Mãe, sorri.
Sorri triste, mas sorri.
Escuta comigo
a música que escrevi
para Ti.

Mãe, da solidão
tua voz grita
abraça-me, toca-me vem comigo ficar.
Abre as portas do teu coração.
Abre e volta a dançar.

Dança, Mãe, dança.
Dança lenta, dança aqui.
Dança comigo
a música que escrevi
para Ti.

Mãe, tua alma clama
num derradeiro adeus
deixar partir é amar.
Ama de novo tudo por mim.
Ama e volta a cantar.

Canta, Mãe, canta.
Canta alegre, canta e ri.
Canta comigo
a música que escrevi
para Ti.

ME
Este poema foi escrito para o Dias das Mães
em 7 de Maio de 2000 e retocado em 30 de Abril de 2009

Mães de todo o Portugal vão hoje ser homenageadas pelos seus filhos.
Para aquelas mães que viram os seus filhos partir e se arrastam na dor
da ausência e da saudade, aqui fica a minha homenagem.




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. Foto retirada do powerpoint The Art of Ballet - Tony.


A Música que escrevi para Ti

Mãe, cansada da luta
em silêncio choras
nada te prende, queres desistir.
Escuta. As palavras têm o dom de gerar vida.
Escuta e volta a sorrir.

Sorri Mãe, sorri.
Sorri triste, mas sorri.
Escuta comigo
a música que escrevi
para Ti.

Mãe, da solidão
tua voz grita
abraça-me, toca-me vem comigo ficar.
Abre as portas do teu coração.
Abre e volta a dançar.

Dança, Mãe, dança.
Dança lenta, dança aqui.
Dança comigo
a música que escrevi
para Ti.

Mãe, tua alma clama
num derradeiro adeus
deixar partir é amar.
Ama de novo tudo por mim.
Ama e volta a cantar.

Canta, Mãe, canta.
Canta alegre, canta e ri.
Canta comigo
a música que escrevi
para Ti.

ME
Este poema foi escrito para o Dias das Mães
em 7 de Maio de 2000 e retocado em 30 de Abril de 2009


Fiquei muito feliz quando, ao voltar desta ausência inesperada, encontrei tantas mensagens vossas e o número dos seguidores deste blog a subir.
A todos agradeço o incentivo e força que me dão para continuar esta aventura.
Aqui ficam as pegadas da caminhada do mês de Março. Um resumo das conquistas alcançadas, dos sentimentos que fomos conseguindo pôr a nu e das mudanças que decidimos fazer.
Para vós o slideshow de Março

Fiquei muito feliz quando, ao voltar desta ausência inesperada, encontrei tantas mensagens vossas e o número dos seguidores deste blog a subir.
A todos agradeço o incentivo e força que me dão para continuar esta aventura.
Aqui ficam as pegadas da caminhada do mês de Março. Um resumo das conquistas alcançadas, dos sentimentos que fomos conseguindo pôr a nu e das mudanças que decidimos fazer.
Para vós o slideshow de Março
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Ontem passei o dia e parte da noite no alto mar, como costumo fazer uma vez por mês. É um dos exercícios que pratico para acordar a alma.
Fiz dezenas de fotos às gaivotas que coreografavam verdadeiros bailados no palco do infinito.
A certa altura uma delas aproximou-se descaradamente de mim, ficou a planar a meio metro da máquina e fechou ligeiramente as asas como que a sussurrar:
deixa-me abraçar-te.
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Ontem passei o dia e parte da noite no alto mar, como costumo fazer uma vez por mês. É um dos exercícios que pratico para acordar a alma.
Fiz dezenas de fotos às gaivotas que coreografavam verdadeiros bailados no palco do infinito.
A certa altura uma delas aproximou-se descaradamente de mim, ficou a planar a meio metro da máquina e fechou ligeiramente as asas como que a sussurrar:
deixa-me abraçar-te.
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O sofrimento ensinou-me a enterrar todas as minhas tristezas. É o que faço quando ando a trabalhar no jardim.
Quandos os meus amigos me visitam dizem:
"Que flores tão bonitas que sempre tens. Dás-nos sementes para plantar no nosso?"
...

O sofrimento ensinou-me a enterrar todas as minhas tristezas. É o que faço quando ando a trabalhar no jardim.
Quandos os meus amigos me visitam dizem:
"Que flores tão bonitas que sempre tens. Dás-nos sementes para plantar no nosso?"
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Quem encontrou recentemente este espaço não sabe, de certo, que ele nasceu do desejo de incentivar outras pessoas a fazerem uma "viagem ao encontro do eu" .
O tema poderá parecer algo subjectivo para alguns, mas marcou de tal maneira a minha vida que arrisquei partilhá-lo.
Encontrei aqui pessoas que já me conheciam e que sabem que tenho uma filha que partiu com 18 anos. A sua morte abriu as portas do meu coração para a vida. O meu luto foi feito e aprendi a viver com a sua ausência física.
Nestes últimos dezassete anos fui, pouco a pouco, descobrindo o caminho para o interior de mim própria. Viagem de início um pouco tumultuosa mas que agora faço quase diariamente procurando ir cada vez um pouco mais longe, atravessando as barreiras do tempo e do espaço.
Todas as situações, sentimentos e estados de alma que retrato foram vivenciados nesta aprendizagem. Alturas houve em que foi preciso lutar. Noutras, deixei-me acarinhar e mimar.
Sinto que sou hoje uma mulher bem diferente e melhor do que era no passado.
Àqueles, e certamente serão muitos, os que têm por hábito fazer esta viagem, peço que dêem os seus testemunhos para ajudar os que se estão a iniciar agora nesta fantástica aventura da descoberta do "eu".
...
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Quem encontrou recentemente este espaço não sabe, de certo, que ele nasceu do desejo de incentivar outras pessoas a fazerem uma "viagem ao encontro do eu" .
O tema poderá parecer algo subjectivo para alguns, mas marcou de tal maneira a minha vida que arrisquei partilhá-lo.
Encontrei aqui pessoas que já me conheciam e que sabem que tenho uma filha que partiu com 18 anos. A sua morte abriu as portas do meu coração para a vida. O meu luto foi feito e aprendi a viver com a sua ausência física.
Nestes últimos dezassete anos fui, pouco a pouco, descobrindo o caminho para o interior de mim própria. Viagem de início um pouco tumultuosa mas que agora faço quase diariamente procurando ir cada vez um pouco mais longe, atravessando as barreiras do tempo e do espaço.
Todas as situações, sentimentos e estados de alma que retrato foram vivenciados nesta aprendizagem. Alturas houve em que foi preciso lutar. Noutras, deixei-me acarinhar e mimar.
Sinto que sou hoje uma mulher bem diferente e melhor do que era no passado.
Àqueles, e certamente serão muitos, os que têm por hábito fazer esta viagem, peço que dêem os seus testemunhos para ajudar os que se estão a iniciar agora nesta fantástica aventura da descoberta do "eu".
...
Quero dar cor
aos sonhos
que abandonei
no sótão
da minha vida.
Dar alma
aos fantasmas
de um dia passado
atrás do outro.
Não me apegar
demasiado
às pessoas e às coisas
mas a pensamentos
de eternidade.

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Quero dar cor
aos sonhos
que abandonei
no sótão
da minha vida.
Dar alma
aos fantasmas
de um dia passado
atrás do outro.
Não me apegar
demasiado
às pessoas e às coisas
mas a pensamentos
de eternidade.

...

Bom dia Primavera,

O mistério que te envolve
confirma,
em cada ano que passa,
a certeza da
renovação.

Por isso continuarei a proclamá-la, com todas as forças do meu ser, a todos quantos quiserem ouvir.

...

Bom dia Primavera,

O mistério que te envolve
confirma,
em cada ano que passa,
a certeza da
renovação.

Por isso continuarei a proclamá-la, com todas as forças do meu ser, a todos quantos quiserem ouvir.

...


Quero dançar
meu choro,
minha tristeza,
minha saudade.
A dança

me sacode
me comove,
me excita,
me reconstrói,
marca encontro
com a vida.
.
.
.
.
.
Samba da Bênção

É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração

Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não

Fazer samba não é contar piada
E quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração

Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não

Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não

Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração

É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração

Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não

Ele é negro demais no coração

Vinicius de Moraes
...


Quero dançar
meu choro,
minha tristeza,
minha saudade.
A dança

me sacode
me comove,
me excita,
me reconstrói,
marca encontro
com a vida.
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Samba da Bênção

É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração

Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não

Fazer samba não é contar piada
E quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração

Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não

Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não

Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração

É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração

Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não

Ele é negro demais no coração

Vinicius de Moraes
...
Quero soltar
as grilhetas do tempo,
sacudir o passado e
num frente a frente
interrogar-me
sobre o que pretendo
da vida
entregando as minhas
dúvidas
à aurora da
liberdade.
...
Quero soltar
as grilhetas do tempo,
sacudir o passado e
num frente a frente
interrogar-me
sobre o que pretendo
da vida
entregando as minhas
dúvidas
à aurora da
liberdade.
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Hoje é o dia dos pais receberem aquele abraço especial dos seus filhos e um "obrigado Pai".

Para alguns pais que cedo viram partir seus filhos, este dia será muito triste e de recordações dolorosas.

Aqui fica o meu abraço numas palavras que escrevi para o meu marido no dia 19 de Março de 2004.
.
Pai,
Noutros tempos terias recebido hoje
o costumado abraço da bebé-mulher
que ajudámos a crescer mas,
na falta da sua presença física,
precisei de recordar por escrito
os fantásticos encontros que
vivemos a seu lado.

...envolveu-me uma leve brisa
diria que um meigo sopro me roçou a face
por momentos, por um instante só,
senti a sua presença...

Pai,
Como a nossa vida mudou!
O passado não existe mais.
Eu quero recordá-la e falar dela.
Tu preferes esquecê-la para não sofrer.
Aceitámos o teu e o meu querer.
Já não nos tratamos por pai... por mãe...
Já não temos que nos chamar.
Nada mais há para falar.
.
Pai,
Hoje senti um desejo louco de te abraçar,
de chorar e rir ao mesmo tempo,
de fazer a nossa filha presente.
O que ela nos deixou é infinitamente maior
do que a sua ausência.
Ensinou-nos a ser pais,
a amar ainda mais,
e a saber deixar partir,
quando o tempo o decidir.
.
Pai,
É isso que os nossos filhos,
seus irmãos, nos pedem.
É isso que eles querem de nós.
Ainda não é tarde
para lhes fazer a vontade.
Encarar a verdadede,
aceitar a realidade.
Mãe
19 de Março de 2004
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Hoje é o dia dos pais receberem aquele abraço especial dos seus filhos e um "obrigado Pai".

Para alguns pais que cedo viram partir seus filhos, este dia será muito triste e de recordações dolorosas.

Aqui fica o meu abraço numas palavras que escrevi para o meu marido no dia 19 de Março de 2004.
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Pai,
Noutros tempos terias recebido hoje
o costumado abraço da bebé-mulher
que ajudámos a crescer mas,
na falta da sua presença física,
precisei de recordar por escrito
os fantásticos encontros que
vivemos a seu lado.

...envolveu-me uma leve brisa
diria que um meigo sopro me roçou a face
por momentos, por um instante só,
senti a sua presença...

Pai,
Como a nossa vida mudou!
O passado não existe mais.
Eu quero recordá-la e falar dela.
Tu preferes esquecê-la para não sofrer.
Aceitámos o teu e o meu querer.
Já não nos tratamos por pai... por mãe...
Já não temos que nos chamar.
Nada mais há para falar.
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Pai,
Hoje senti um desejo louco de te abraçar,
de chorar e rir ao mesmo tempo,
de fazer a nossa filha presente.
O que ela nos deixou é infinitamente maior
do que a sua ausência.
Ensinou-nos a ser pais,
a amar ainda mais,
e a saber deixar partir,
quando o tempo o decidir.
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Pai,
É isso que os nossos filhos,
seus irmãos, nos pedem.
É isso que eles querem de nós.
Ainda não é tarde
para lhes fazer a vontade.
Encarar a verdadede,
aceitar a realidade.
Mãe
19 de Março de 2004
...

..........De muito pequenina começaste
..........a logo querer ser uma mulher feita
..........e a ternura de todos conquistaste
..........com teus olhos verdes e alma d'eleita.

..........Olá dizias, como um passarinho,
..........ainda mal nas pernitas te sustinhas.
..........Olá, tudo bem, dizias com encanto,
..........à noitinha quando p'ra casa vinhas.

..........E agora que tão cedo nos deixaste,
..........tudo recorda aquilo que fizeste.
..........Se te for permitido continua
.
..........a envolver-nos dessa alegria nua,
..........até que cumprida a nossa missão
..........nos possamos de novo dar a mão.
.
..........Julho 1992
...

..........De muito pequenina começaste
..........a logo querer ser uma mulher feita
..........e a ternura de todos conquistaste
..........com teus olhos verdes e alma d'eleita.

..........Olá dizias, como um passarinho,
..........ainda mal nas pernitas te sustinhas.
..........Olá, tudo bem, dizias com encanto,
..........à noitinha quando p'ra casa vinhas.

..........E agora que tão cedo nos deixaste,
..........tudo recorda aquilo que fizeste.
..........Se te for permitido continua
.
..........a envolver-nos dessa alegria nua,
..........até que cumprida a nossa missão
..........nos possamos de novo dar a mão.
.
..........Julho 1992

Quero brincar ao faz de conta
e amar muito, com muita força
a minha boneca de trapos.
Será que lhe vou dar vida?

Na postagem que publiquei no dia 14 de Janeiro, falei do livro "As Bruxas da Serra da Foia" (podem ver uma foto na barra lateral) e transcrevi algumas linhas.
Gosto muito da história que este livro nos conta e por isso apraz-me falar dele. Aqui ficam mais umas quantas linhas a propósito da boneca de trapos da menina do livro:

.........................................................................................Ilustração de Šárka Langa

"Eu tinha quatro anos, uma imaginação fantástica e levava sempre comigo o único brinquedo de toda a minha infância: a Mona, a minha boneca de trapos. Uma das coisas de que não me consigo lembrar é de quem é que me deu aquela boneca ou de como é que ela apareceu na minha vida. Terá sido o meu tio? Quem mais poderia ser? Até ma terem tirado, imaginava que tinha nascido comigo, porque sempre a conhecera. Dava-lhe beijinhos, acariciava-a, conversava muito com ela e aquecíamo-nos uma à outra quando fazia frio. Não me recordo de alguma vez me ter separado dela.

Quando mataram a minha Mona

O caminho para o colégio foi feito em silêncio. O meu pai e a mulher que vivia com o meu pai, no banco da frente, a minha Mona e eu, abraçadas, no banco detrás.
Num repente, sem me dar tempo para reagir, a mulher que vivia com o meu pai, arrancou--me dos braços a minha Mona e atirou-a pela janela fora.
− Está suja, cheia de piolhos, não a podes levar para o colégio, é uma vergonha. Já não és um bebé para brincar com bonecas.
Vi a minha amiga cair no chão e um carro passar-lhe por cima. Ficou toda desfeita. Era como se fosse eu que estivesse ali.
Fiquei a olhar muito tempo para a estrada para o sítio onde a minha Mona estava toda esfarrapada, os pedacitos de algodão do seu corpo esvoaçando por todo o lado, até que uma curva do caminho a escondeu.
Não chorei. Eu tinha combinado com a minha Mona que, por maior que fosse o mal que me fizessem, nunca iria chorar. E tirarem-me a minha Mona foi uma maldade muito grande. Durante muito tempo chorei para dentro, mas nunca ninguém viu as minhas lágrimas.
Aos poucos estava a perder tudo. O meu tio, a minha casa, a minha torre, a minha andorinha, o meu mano, a minha mãe e agora a minha Mona.
Sentia-me como a Gata Borralheira. A lembrança do conto de fadas fez-me bem. Eu tinha que passar por muitas provas para crescer, como me dizia o meu tio quando contava as histórias. Para crescer e um dia ganhar um palácio e um sapatinho de cristal.
À medida que o carro rolava na estrada prometi a mim própria que, quando fosse grande, havia de ajudar as meninas como eu a serem fortes e a não terem medo de nada. Eu mal sabia escrever, mas pensava que podia escrever contos que as ajudassem a entender que dentro de nós há uma fada boa que nos ajuda
a derrotar todos os gigantes, monstros, lobos e bruxas."

Quero brincar ao faz de conta
e amar muito, com muita força
a minha boneca de trapos.
Será que lhe vou dar vida?

Na postagem que publiquei no dia 14 de Janeiro, falei do livro "As Bruxas da Serra da Foia" (podem ver uma foto na barra lateral) e transcrevi algumas linhas.
Gosto muito da história que este livro nos conta e por isso apraz-me falar dele. Aqui ficam mais umas quantas linhas a propósito da boneca de trapos da menina do livro:

.........................................................................................Ilustração de Šárka Langa

"Eu tinha quatro anos, uma imaginação fantástica e levava sempre comigo o único brinquedo de toda a minha infância: a Mona, a minha boneca de trapos. Uma das coisas de que não me consigo lembrar é de quem é que me deu aquela boneca ou de como é que ela apareceu na minha vida. Terá sido o meu tio? Quem mais poderia ser? Até ma terem tirado, imaginava que tinha nascido comigo, porque sempre a conhecera. Dava-lhe beijinhos, acariciava-a, conversava muito com ela e aquecíamo-nos uma à outra quando fazia frio. Não me recordo de alguma vez me ter separado dela.

Quando mataram a minha Mona

O caminho para o colégio foi feito em silêncio. O meu pai e a mulher que vivia com o meu pai, no banco da frente, a minha Mona e eu, abraçadas, no banco detrás.
Num repente, sem me dar tempo para reagir, a mulher que vivia com o meu pai, arrancou--me dos braços a minha Mona e atirou-a pela janela fora.
− Está suja, cheia de piolhos, não a podes levar para o colégio, é uma vergonha. Já não és um bebé para brincar com bonecas.
Vi a minha amiga cair no chão e um carro passar-lhe por cima. Ficou toda desfeita. Era como se fosse eu que estivesse ali.
Fiquei a olhar muito tempo para a estrada para o sítio onde a minha Mona estava toda esfarrapada, os pedacitos de algodão do seu corpo esvoaçando por todo o lado, até que uma curva do caminho a escondeu.
Não chorei. Eu tinha combinado com a minha Mona que, por maior que fosse o mal que me fizessem, nunca iria chorar. E tirarem-me a minha Mona foi uma maldade muito grande. Durante muito tempo chorei para dentro, mas nunca ninguém viu as minhas lágrimas.
Aos poucos estava a perder tudo. O meu tio, a minha casa, a minha torre, a minha andorinha, o meu mano, a minha mãe e agora a minha Mona.
Sentia-me como a Gata Borralheira. A lembrança do conto de fadas fez-me bem. Eu tinha que passar por muitas provas para crescer, como me dizia o meu tio quando contava as histórias. Para crescer e um dia ganhar um palácio e um sapatinho de cristal.
À medida que o carro rolava na estrada prometi a mim própria que, quando fosse grande, havia de ajudar as meninas como eu a serem fortes e a não terem medo de nada. Eu mal sabia escrever, mas pensava que podia escrever contos que as ajudassem a entender que dentro de nós há uma fada boa que nos ajuda
a derrotar todos os gigantes, monstros, lobos e bruxas."
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Quero crescer alta,
majestosa e nua,
despida de preconceitos
e respeitos.
A seu tempo
a seiva brotará
para cobrir minha nudez.
Nele me entrego e abandono
porque Ele existe em mim.
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Quero crescer alta,
majestosa e nua,
despida de preconceitos
e respeitos.
A seu tempo
a seiva brotará
para cobrir minha nudez.
Nele me entrego e abandono
porque Ele existe em mim.
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Na agitação da vida não toleramos espaços vazios. Se eles surgem, enchemo-los com preocupações. Melhor dizendo, pre-ocupamos esses espaços com situações que nem sabemos se existem ou irão acontecer. Quanto melhor não seria termos a confiança do abandono e da entrega. Permitir que o outro nos guie de quando em vez. Deixar espaços vazios na nossa vida para que aconteça a surpresa de alguém os encher de amor.
...
Na agitação da vida não toleramos espaços vazios. Se eles surgem, enchemo-los com preocupações. Melhor dizendo, pre-ocupamos esses espaços com situações que nem sabemos se existem ou irão acontecer. Quanto melhor não seria termos a confiança do abandono e da entrega. Permitir que o outro nos guie de quando em vez. Deixar espaços vazios na nossa vida para que aconteça a surpresa de alguém os encher de amor.
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Penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio ...
e eis que a verdade se me revela
Albert Einstein
.
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Tal como as água mexidas de um lago deformam tudo o que nelas se espelha, também os nossos padrões de pensamento, os nossos condicionamentos e racionalismos deformam a nossa mente.
É preciso entrar na nossa vida interior para entender porque é que tomamos determinadas atitudes que nos fazem mal, porque é que deixamos que a ansiedade se apodere de nós, porque é que agimos ao contrário do que seria o nosso desejo.
Esse entrar na nossa vida interior é aquilo a que poderemos chamar de meditação. Tomando conhecimento do modelo de pensamento pelo qual estamos a reger a nossa vida, temos sempre a possibilidade de o alterar.
Feche os olhos, concentre-se nos seus pensamentos mais íntimos por um minuto e deixe-se levar.
...

Penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio ...
e eis que a verdade se me revela
Albert Einstein
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Tal como as água mexidas de um lago deformam tudo o que nelas se espelha, também os nossos padrões de pensamento, os nossos condicionamentos e racionalismos deformam a nossa mente.
É preciso entrar na nossa vida interior para entender porque é que tomamos determinadas atitudes que nos fazem mal, porque é que deixamos que a ansiedade se apodere de nós, porque é que agimos ao contrário do que seria o nosso desejo.
Esse entrar na nossa vida interior é aquilo a que poderemos chamar de meditação. Tomando conhecimento do modelo de pensamento pelo qual estamos a reger a nossa vida, temos sempre a possibilidade de o alterar.
Feche os olhos, concentre-se nos seus pensamentos mais íntimos por um minuto e deixe-se levar.
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Foto tirada hoje de propósito para esta postagem
Clique na rã para ela coaxar
.
Eu queria ser simples como as rãs nos charcos
Ver de longe partirem os barcos
Numa manhã qualquer.
Meu Deus, deixa-me repousar um pouco.
Quero inexistir-me sem sobressalto,
Diluir-me no ar líquido que a manhã destila.
Meu Deus, deixa-me ser a brisa que agita neste
Instante as folhas das palmeiras,
A brisa que houve
E já não há.

Lídia do Carmo Ferreira
...
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Foto tirada hoje de propósito para esta postagem
Clique na rã para ela coaxar
.
Eu queria ser simples como as rãs nos charcos
Ver de longe partirem os barcos
Numa manhã qualquer.
Meu Deus, deixa-me repousar um pouco.
Quero inexistir-me sem sobressalto,
Diluir-me no ar líquido que a manhã destila.
Meu Deus, deixa-me ser a brisa que agita neste
Instante as folhas das palmeiras,
A brisa que houve
E já não há.

Lídia do Carmo Ferreira
...

Artigo escrito em 03-01-2005

A alegria é contagiosa tal como a tristeza. Foi ao caminhar lado a lado com a tristeza que eu conheci o valor da alegria.
O grande sofrimento daqueles com quem tenho privado no trabalho a que me dediquei ensinou-me a encontrar situações de grande beleza no meio dos maiores horrores. Curiosamente, encontrei-me há dias a ver uma reportagem sobre a recente tragédia no Índico (tsunami) quando me dei conta de uma cena de imensa ternura: - No meio de toda aquela confusão, duas crianças partilhavam um bocado de pão. Vi também uma mulher sorrir e agradecer a alguém que a cobria com um cobertor. Olhei então os raios de Sol filtrados através das nuvens e dei comigo a cogitar: - “Se há um Sol, porque é que algumas pessoas só falam das nuvens não conseguindo perceber que é o Sol que permite que elas sejam vistas?” Aqueles que são capazes de continuar a falar do Sol, embora a sua viagem se faça sob um espesso tecto de nuvens, são “Mensageiros da Esperança”. Que bom seria para todos nós, se conseguíssemos dar a mão a estes caminhantes e fizéssemos a nossa viagem com eles.
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Artigo escrito em 03-01-2005

A alegria é contagiosa tal como a tristeza. Foi ao caminhar lado a lado com a tristeza que eu conheci o valor da alegria.
O grande sofrimento daqueles com quem tenho privado no trabalho a que me dediquei ensinou-me a encontrar situações de grande beleza no meio dos maiores horrores. Curiosamente, encontrei-me há dias a ver uma reportagem sobre a recente tragédia no Índico (tsunami) quando me dei conta de uma cena de imensa ternura: - No meio de toda aquela confusão, duas crianças partilhavam um bocado de pão. Vi também uma mulher sorrir e agradecer a alguém que a cobria com um cobertor. Olhei então os raios de Sol filtrados através das nuvens e dei comigo a cogitar: - “Se há um Sol, porque é que algumas pessoas só falam das nuvens não conseguindo perceber que é o Sol que permite que elas sejam vistas?” Aqueles que são capazes de continuar a falar do Sol, embora a sua viagem se faça sob um espesso tecto de nuvens, são “Mensageiros da Esperança”. Que bom seria para todos nós, se conseguíssemos dar a mão a estes caminhantes e fizéssemos a nossa viagem com eles.

Para celebrar o dia da mulher aqui fica um poema de Florbela Espanca cuja obra se centra na solidão, no sofrimento, no desencanto, tendo ainda uma forte ligação com a Natureza:
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Amar!
(Florbela Espanca)

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Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui...além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi para cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... para me encontrar...

Florbela Espanca é uma grande figura da literatura portuguesa de todos os tempos.

Queria só num pequeno aparte dizer-vos que, quando precisei de estudar sobre o suicídio, esta foi uma de entre muitas pessoas que escolhi. Os temas dor, sofrimento e tantos outros estados de alma são os que procuro abordar aqui neste blogue, vistos pelo lado positivo.

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